História

MAPEAMENTO DAS EXPRESSÕES CULTURAIS

 

Município: Ecoporanga

 

Estado: Espírito Santo

 

Área: 2.290,00 km²

 

População: 23.212 habitantes (fonte: Senso IBGE 2010)

 

População estimada 2016: 24.243 habitantes (fonte: Senso IBGE 2010)

 

Densidade demográfica: 10,16 hab/km² (fonte: Senso IBGE 2010)

 

Índice percentual de crianças e adolescentes em relação à população do município: 36,66 %

 

MANIFESTAÇÕES CULTURAIS E EVENTOS

 

Ecoporanga é um município rico em tradições folclóricas.

 

Muitas manifestações e eventos culturais acontecem na sede e nos distritos durante todo o ano, contando sempre com a participação de toda a comunidade.

 

Entre as manifestações se destacam a Festa do Aniversário de Emancipação Política do Município, Festas Religiosas, Cavalgadas, Festas Juninas, Quadrilhas, Folias de Reis, entre outras.

 

O Festival Folclórico acontece na sede do município todos os anos no mês de agosto. Conta com a participação das escolas, grupos folclóricos locais e regionais, bem como de toda a população.

 

No Distrito de Cotaxé, durante o mês de janeiro, temos o grupo de Folia de Reis e o tradicional Boi Janeiro.

 

No Distrito de Prata dos Baianos temos o Roubo da Bandeira, tradição folclórica mantida por grupos de moradores e realizada durante o mês da junho.

 

No Distrito de Santa Luzia do Norte, o Grupo de Capoeira “Senzala”, realiza de dois em dois anos o Encontro Internacional de Capoeira, também estão sempre presentes em outros locais e eventos do município e até mesmo em outros municípios e estados.

 

Devido ao histórico sócio-cultural do município, temos um vasto campo nessa área artesanal, onde é explícita a formação cultural de acordo com seus antepassados, gerando assim um conhecimento de comunidade para comunidade, mantendo-se costumes e valores de cada região.

 

Contudo, dentre os vários grupos “artesanais” existentes, podemos exemplificar alguns, como:

 

*Agroindústria – onde num pequeno sítio, uma família se dedica ao trabalho artesanal de queijos e doces, com matérias primas produzidas no mesmo e o único material industrializado que exige a necessidade de compra é o açúcar. Diante disso, a família toda está envolvida neste trabalho, para que se mantenha uma boa qualidade junto à receptividade de seus clientes.

 

*Marcas, crochês, brolhas, bordados, bijuterias, etc – é uma outra atividade riquíssima, onde se mantém características particulares de costumes e valores, utilizando-se de formas manuais. Este trabalho é marcado pelo conhecimento cultural e mantido pelas comunidades, gerando assim saberes socializadores.

 

*Fabricação de peneiras, balaios e esteiras – na residência desta família são fabricados estes materiais acima citados, onde se deu início com um senhor descendente de escravos e até hoje é mantida esta tradição entre esta família, bem como entre outras famílias do município.

 

*Fabricação de berimbau, atabaque e pandeiros – esses materiais são fabricados pelo Grupo de Capoeira “Senzala”, que com seus trabalhos e eventos, contribui para o crescimento de seu distrito, introduzindo um desenvolvimento social com crianças, adolescentes e jovens desta comunidade. Esta prática artesanal surgiu no grupo com seus antepassados que eram descendentes de escravos, por isso o grupo faz questão de manter tradições e valores dos mesmos.

 

De modo geral, as famílias que de forma direta ou indireta contribuem para estes trabalhos, começam por costumes de seus antepassados, passando de “pai para filho”. Buscando também meios para o sustento familiar e o bem estar de todos, aproveitando-se de suas habilidades para poderem se manter.

 

Entretanto, temos consciência de que essa multiplicidade cultural só tem a contribuir para o município, mantendo-se viva a chama cultural de todos.

 

LUGARES, PRÉDIOS E CONSTRUÇÕES

 

Existem no município vários lugares, prédios e construções que trazem consigo fatos, tempos e acontecimentos marcantes que contribuíram para o desenrolar da nossa história como um todo.

 

Assim, nossa população possui esta valorosa contribuição na busca da sua própria história de vida, criando sua identidade pessoal e compreendendo a formação sócio/político/cultural existente no desenvolvimento destes patrimônios históricos.

 

Temos exemplos claros destas contribuições, tais como:

 

*Praça João Corsino de Freitas – é uma praça situada no centro da cidade, onde ocorre grande parte dos eventos do município, havendo uma integração com diversas raças e culturas. Esta praça, recebeu este nome em homenagem ao primeiro prefeito eleito no município e hoje costuma ser o ponto de encontro de pessoas de várias idades.

 

*Jequitibá Rosa – esta árvore fica localizada no distrito de Santa Terezinha, numa propriedade particular com 7,85m de circunferência e 33m de altura, excluindo a copa que mede aproximadamente 10m, tendo idade entre 1.500 a 2.000 anos. O Jequitibá Rei, como ele é chamado, é visitado por escolas, turistas, pesquisadores, entre outros, pois o mesmo provoca um impacto social, conscientizando a população da preservação do meio ambiente em geral.

 

*Pedras, montanhas e cachoeiras – em nosso município fomos presenteados com uma vasta beleza natural. São inúmeras cachoeiras, montanhas e pedras, verdadeiros patrimônios históricos naturais.

Através da Lei Municipal nº 413 – de 25 de setembro de 1989, ficou tombado como Patrimônio Histórico do Município de Ecoporanga para efeitos de preservação do meio ambiente, os monumentos naturais denominados Pedra Fujy-Yama, Pedra da Viúva e Serra do Lobisomem. Estes monumentos são de grande valia para nossa população, pois há grupos que escalam, trilhas a percorrer, vôos de asa delta, estimulando o turismo e o lazer local. Além de contribuir para a paisagem e beleza do município.

 

Diante da multiplicidade de marcos da história local, temos uma grande bagagem e suporte para a identificação social e cultural do nosso município.

 

LENDAS, CAUSOS E SUPERSTIÇÕES

 

As lendas, superstições e causos em nosso município mantém viva uma chama cultural que é possível passar de geração em geração, sem que perca suas raízes e naturalidades. Proporcionando que pessoas de nossa sociedade atual tenham acesso ao mundo da fantasia e lendas que somente a bagagem cultural de nossos antepassados pode expressar.

 

Assim, temos alguns desses exemplos a retratar como:

•          Lenda do Lobisomem – onde geralmente, na sexta-feira, noite de lua cheia, um homem se transforma em lobo para assustar as pessoas e animais.

•          Saci-Pererê – lenda de um garoto que adora fazer travessuras, e suas características são bem particulares, como: negro, gorro e vestes vermelha e pula de um pé só. Até hoje as crianças adoram este personagem marcante da nossa história.

 

Contudo, essas lendas e contos populares são muito importantes para a valorização cultural de nossa região. E, entretanto, lutamos para que com o avanço tecnológico não percamos essa essência tão marcante, como os conhecimentos do senso-comum do nosso município, mantendo sempre sua verdadeira essência. 

 

BRINCADEIRAS E BRINQUEDOS INFANTIS

 

As brincadeiras de modo geral, possuem características próprias de cada região e cultura. Entretanto, a valorização deve ser mantida, mesmo com o avanço tecnológico a todo vapor, tendo em muitas vezes a tradição de manter e passar essas brincadeiras de pai para filho.

 

Temos vários exemplos de brincadeiras de roda e brinquedos que se mantiveram com o passar dos tempos, como: peteca, cobra cega, queimada, cantigas de roda, passar anel, entre outros.

 

Nas comunidades mais carentes, as próprias crianças confeccionam seus brinquedos, utilizando materiais do seu cotidiano, adaptando-os a sua realidade. Por isso, a imaginação e a habilidade do saber fazer são fortemente marcadas nessas crianças.

 

Assim, o ato de brincar deve ser mantido na realidade e no convívio de todas as crianças, pois é através da brincadeira que elas podem viajar pelo mundo da fantasia.

 

FIGURAS POPULARES

 

Ecoporanga é terra de um povo humilde e trabalhador, festeiro e de muito companheirismo, que respeita e valoriza a cultura popular.

 

Entre as figuras populares destacamos D. Cleunice e D. Lurdes que atuam na comunidade como benzedeiras e conhecedoras da medicina popular.

 

D. Tereza, Sr. Paulino Moreira, D. Margarida, Sr. Jovão, D. Diomara, D. Eugênia, Sr. Manoel, entre outros, são pessoas que se destacam pelos trabalhos religiosos, comunitários, em associações e por serem moradores antigos e conhecedores da hitória local.

 

O Sr. Paulino Leite, mais conhecido como Paulinho PT, se destaca por ser um artista da terra. É compositor, cantor e escritor. Já publicou 04 (quatro) livros, em forma de cordel, nos quais narra histórias locais e do povo.

 

Sr. João Miguel, além de artesão, mantêm viva a tradição do “Roubo da Bandeira” no Distrito de Prata dos Baianos.

 

EXPRESSÕES E VOCÁBULOS LOCAIS E REGIONAIS

 

As expressões e dialetos locais e regionais são marcantes em qualquer região, pois, expressa a maneira de viver, a cultura e os valores particulares de cada local.

 

Diante desta diversidade, temos em nosso município exemplos claros destes dialetos, como:

•          Ué – expressão de dúvida, de questionamento

•          Uai – expressão de surpresa, espanto

•          Bitela – mulher bonita

•          Ô meu! – expressão usada mais entre os jovens e adultos, forma de cumprimentar as outras pessoas.

 

O respeito entre as diferentes maneiras de se expressar deve ser mantido, uma vez que a diversidade cultural é tão grande e aparente, por isso, devem ser mantidos como características próprias de cada região.

 

 HISTÓRIAS LOCAIS

Essas histórias são de extrema importância para o reconhecimento do seu local de origem, e em nosso município temos valiosas destas contribuições que formaram a identidade do nosso povo.

 

Entre várias histórias marcantes destacamos algumas, como:

•          Resistência em Cotaxé – ocorreu um grave conflito de terras, que perdurou por muito tempo. Os primeiros desbravadores foram atraídos pela qualidade da madeira encontrada nesta região, e por isso os conflitos foram se intensificando cada vez mais, formando-se grupos que os lideravam.

•          Distrito “Prata dos Baianos” – foi dado este nome porque seus primeiros habitantes eram baianos, e no distrito passa um rio, onde antigamente a água era tão clara e limpa que a população dizia que a água era prata. Daí surgiu o nome “Prata dos Baianos”.

 

•          Distrito de “Santa Luzia do Norte” – possui este nome devido a uma homenagem feita à Padroeira, anteriormente chamava-se “Patrimônio dos Pretos”, devido à população, em sua maioria serem negros.

 

Essas histórias possuem características fundamentais para a formação de um povo. Proporcionando que nossos jovens e crianças possam conhecer a riqueza do seu povo.

 

GRUPOS ÉTNICOS ESPECÍFICOS

 

No Município de Ecoporanga há poucos grupos étnicos específicos, mas encontramos o afro, o alemão e o italiano.

 

É grande o número de descendentes afro, sendo que há maior concentração no Distrito de Santa Luzia do Norte, também conhecido como “Patrimônio dos Pretos”. Esse grupo procura manter vivas e valorizar algumas tradições, entre elas a capoeira, a fabricação de instrumentos como o atabaque, o berimbau e o pandeiro. No Distrito de Santa Luzia do Norte, há o Grupo de Capoeira “Senzala”, o qual promove de dois em dois anos o Encontro Internacional de Capoeira.

 

No Município encontramos famílias descendentes de italianos na sede e nos Distritos de Imburana e Santa Terezinha ( Cº Osvaldo Cruz). Essas famílias mantêm vivas algumas tradições religiosas e culinárias.

 

Os Brandemburg orgulham-se de ser a maior família alemã do município. Todos residem no Córrego do Paraíso, Distrito de Santa Terezinha. Procuram manter vivas algumas tradições, principalmente da culinária e festas.

 

INSTITUIÇÕES E ENTIDADES

Visando o crescimento sócio/econômico/político e cultural do município, as instituições e entidades possuem um papel fundamental para a população de forma geral.

 

Essas contribuições auxiliam também os comerciantes, artesãos, proprietários rurais, entre outros, visando um único objetivo: o crescimento e o bem estar de todas as comunidades e sua inserção social.

 

Exemplos destas instituições e entidades são:

•          “Grupo Amigos do Cavalo” do Distrito de Imburana – este grupo foi formado por amigos que tinham o hábito de se encontrarem para cavalgar. O apoio veio pela própria comunidade e os pequenos proprietários rurais.

•          “Sindicato dos Trabalhadores Rurais” – surgiu de um grupo de trabalhadores rurais em parceria com a Igreja Católica. Esta entidade sem fins lucrativos, visa amparar os trabalhadores rurais, para que os mesmos possam se manter em seu lugar de origem.

•          “Sociedade Comunitária Rural Córrego do Paraíso” – criada pelos moradores, que visam resolver as questões da comunidade em geral, bem como para os seus familiares, visando o bem estar de todos.

 

Essas entidades são de tamanha importância para o município e para as pessoas que aqui habitam, oportunizando a integração e a socialização entre todos.

 

RELAÇÃO DOS DISTRITOS

SEU HISTÓRICO E ALGUMAS MANIFESTAÇÕES

 

SEDE DO MUNICÍPIO

ABORDAGEM HISTÓRICA E CULTURAL DA SEDE DO MUNICÍPIO

 

Nas primeiras décadas do século XX, ocorreu a 1ª Guerra Mundial, derramando sangue, trazendo desespero e horror a todos os povos, ma logo, a paz tão esperada e desejada, tanto pelos vencedores como pelos vencidos, surgiu . Por toda parte, grandes e sentidas manifestações exprimiam a viva alegria dos povos que se viam, finalmente, libertos daquele horrível pesadelo.

 

No Brasil a crise econômica em 1929, os movimentos políticos ( o Tenentismo , as ações do Partido Comunista do Brasil) e a falência de política oligárquica levaram o país a importante mudanças .

 

É com a queda da República Velha que o Estado do Brasil deu um grande passo à industrialização da economia capitalista . Ao desenvolver o capital industrial já presente no “complexo cafeeiro” a burguesia lutará, após 1930, pela industrialização , fincando as bases da indústria de bens e capital . O Estado brasileiro se comprometeu com esse processo de industrialização e no decorrer de várias décadas contribuiu decisivamente para a construção da indústria de bens de capital .

 

Neste período, o interior do Espírito Santo era coberto de matas virgens . Com a abertura da Estrada de Ferro Vitória-Minas , depois da inauguração da ponte sobre o Rio Doce em Colatina, no governo de Florentino Ávidos ( 1924 –1928), teve início a ocupação das terras , ao norte desse rio .

 

A região transriodoce , a noroeste do estado, foi a última a ser desbravada, ocupada em nosso território .

 

As correntes migratórias, que para ali se dirigiam até alcançar as terras banhadas pelos rios Cotaxé e Cricaré, que nelas correm, somente começaram a se movimentar e a ganhar força da terceira década deste século em diante. Eram florestas estacionais semidecíduas, com belas arvores de jacarandá, peroba, ipê, cedro, macanaíba, chegando algumas a trinta metros de altura .

 

A penetração no interior desta mata, considerada prolongamento da Atlântica, de planícies  e encostas, feitas pelos desbravadores foram atraídos, a principio, pela qualidade das madeiras, que se constituíam no recurso natural e econômico da região, e pelas áreas agriculturáveis que se iam abrindo nas chagas das derrubadas. Eram eles capixabas, baianos e mineiros.

 

Por volta de 1934 chegava a estas terras um desses migrantes, foi o desbravador Jacinto Antônio Dias . O novo pioneiro é um homem que veio do Oeste , vem das terras de Minas Gerais, saindo de Conselheiro Pena, caminhando com pisadas resolutas a terra áspera dos grandes sertões . Acompanhando-o nesta caminhada de migrante a mulher Guilhermina Joana de Jesus e seus doze filhos. Segundo Efigênia, uma das filhas do casal, eles gastaram 20 dias de viagem de Conselheiro Pena à  localidade chamada Represa, em lombos de animais .

 

A região era coberta de matas, não havia estradas, meios de transporte e nem energia elétrica. Neste tempo as pessoas andavam a pé ou a cavalo para percorrer as terras do município .

 

Os tropeiros tiveram grande importância no comércio , pois, vendiam mercadorias de um ligar para outro . As pessoas que não tinham animais  iam a pé daqui a Barra de São Francisco em busca de sal, remédios, querosene e outras mercadorias .

 

Em relação a Jacinto Antônio Dias há dois fatos que merecem menção : o primeiro deles vamos retira-lo do depoimento da própria filha, quando disse que o pai “trouxe gente de Minas Gerais”. Ele não se limitou a tomar posse de uma terra nova, nela plantando e erguendo um rancho, criou um núcleo de desbravamento . Ante as possibilidades que vislumbrou no lugar, prega o mutirão, reclama reforços, convoca mais braços para o trabalho comum, traz gente de Minas Gerais .

O segundo fato a realçar é um ato de doação : A doação de 28 hectares de terra, em 1937 para o Frei Inocêncio da ordem dos Capuchinhos, destinados à fundação de um patrimônio em honra de Nossa Senhora do Monte Serrat .

 

Frei Inocêncio de Comiso, que recebeu de Jacinto Antônio Dias a doação dos 28 hectares de terra para o patrimônio de Nossa Senhora do Monte Serrat, origem da cidade de Ecoporanga, pertencia à ordem dos Capuchinhos. Sua presença, no Alto São Mateus, estava ligada a ação missionária que esses religiosos, desde a década de setenta do século XIX exerceram nas selvas entre os rios Mucuri e Doce, na catequese dos índios e na pregação de missões ambulantes .

 

O núcleo regional de onde nasceu o município de Ecoporanga teve vários nomes : Patrimônio do Quinze, Nova Betânia e Rubinópolis, antes de se fixar o nome Ecoporanga .

 

O nome Ecoporanga foi dado segundo a tradição local, como sendo de fundo indígena significando o local onde se produz o eco do nhambu . O dicionarista Luiz Carlos Tibiriçá, no seu  Dicionário Tupi-Português, registra como significado do termo de Ecoporanga : beleza, virtude .

 

Esse significado aproxima-se de outro, cuja origem tem a seguinte versão : O nome Ecoporanga foi, de fato, retirado a um dicionário Tupi-Português com sentido de Terra de Prosperidade. Qualquer que seja a explicação para o toponímico do município e da sua cidade sede, o fato é que o nhambu incorporou-se definitivamente às mais caras tradições da terra e de sua gente. Sua figura tornou-se emblemática ao ser consagrada no brasão de armas de Ecoporanga, onde se destaca em negro contra o fundo do campo prateado que forma o escudo da brasão .

 

Em 9 de Abril de 1955, foi instalado o município de Ecoporanga, criado pela Lei Estadual nº 167 de 24 de Dezembro de 1948, tendo a Lei nº897 de 12 de Janeiro de 1955, na vila de Ecoporanga.

 

O município fica situado a noroeste do Espírito Santo, no alto São Mateus. Esta é a designação dada pelo IBGE ( Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

Na década de 40 toda a região pertencia a Barra de São Francisco. O sr. Tolentino Xavier Ribeiro candidatou-se a vereador por aquele município, percorreu por esses arredores em busca de voto . Sensibilizado com tanta dificuldade enfrentada pelo povo em percorrer a pé ou a cavalo para fazer suas compras e todo tipo de negócio em Barra de São Francisco, prometeu ao povo que : se eleito fosse lutaria pela emancipação política deste lugar. Se elegeu e lutou junto as autoridades estaduais : Floriano Lopes Rubim, Luiz Batista e outros mais .

 

Em 1948 foi criada a Lei Estadual instituindo o município de Ecoporanga e nomeando o sr. Tolentino Xavier Ribeiro como prefeito do município.

 

 PRIMEIROS MORADORES DE ECOPORANGA

 

Os primeiros moradores que aqui chegaram, vieram em busca de melhoria de vida. Á medida que chegavam iam se instalando de acordo com as condições formando assim os povoados .

 

No início tudo era precário, com o passar do tempo, surgiam casas comerciais, farmácias, máquinas de café. Enfrentaram várias doenças como : febre amarela, tuberculose, bouba, tétano, coqueluche, crupe, sarampo, etc. Devido a essas doenças foi construído uma Casa de Saúde para atender a grande quantidade de doentes, então vieram os primeiros médicos : Dr. Hugo e Dr. Erdir. Com o desenvolvimento chegou também a primeira professora, a senhora Zulmira Mota, esposa do primeiro delegado de polícia, sr. Milton Mota, que abriu a primeira farmácia. Em seguida veio o primeiro padre, o Padre Zacarias .

 MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS CULTURAIS

 

O nosso município tem vários destaques no mundo da música. Temos os artistas da terra que fazem os seus shows :  Val e seu teclado, Fernando e Robson, Manoelzinho e seu teclado, Adilson e Adãozinho, Gilson, Gentil e Eduardo, O Trio Matulão, o Repentista Zé Gustavo, João Tatão, Arquivo 5 e a onda do momento está sendo o grupo Cultura de Rua, que vem fazendo um grande sucesso . O grupo já conta em seu repertório com 42 musicas de própria autoria e já lançou o seu primeiro CD.

 

Desde 1970, o nosso município tem como ritual comemorar o “Dia de São José Operário” com o desfile de cavaleiros que acontece sempre no 1º domingo de Maio . Na festa, além do desfile, há sorteio de prêmios, missa com a presença de todas as comunidades , e no final um animado show de calouros. Essa festa é em homenagem ao trabalhador rural que tanta importância teve na colonização do nosso município.

 

As festas juninas também são comemoradas desde os primeiros tempos com quadrilhas e fogueiras . Comemora-se também “O Dia de Corpus Christi”, desenhando nas ruas lindos tapetes, fazendo um circuito em todo o quarteirão da Igreja matriz e à noite é realizada uma procissão.

 

No dia da Independência do Brasil, é realizado o desfile escolar onde todas as escolas participam.

 

Um grande evento que acontece no município é a Exposição Agropecuária . Nesta festividade reúnem-se produtores de diversas localidades expondo seus produtos. Apresentam-se shows com cantores, grupos musicais e grupos de danças. Têm comidas típicas, parques de diversões, vaquejada, bingo, e muitas outras atrações.

 

O Festival Folclórico acontece na sede do município todos os anos no mês de agosto. Conta com a participação das escolas, grupos folclóricos locais e regionais, bem como de toda a população.

O modernismo tomou conta do nosso município, são poucas as crendices populares . Mas ainda existem algumas pessoas que são verdadeiros guardiões desses hábitos e costumes . Dentre eles podemos citar : o sr. Pedro Tomé que benze de olho gordo, aguamento, mal olhado, espinhela caída, quebrante , dores no corpo, dor de cabeça, e outros males. Outra que também merece destaque é a dona Mocinha, que com suas fórmulas mágicas cura gripe, resfriados, asma, enxaqueca, etc.

 

Dentre muitas podemos citar a pintura a óleo sobre tela. Os vasos de cerâmica e as estatuetas do sr. João Dias . As peças de cobre do sr. Mineirinho são verdadeiras obras de arte. O sr. José Silva da rua do cemitério encanta a todos com seus trabalhos de artesanatos. Enfim muitas são as bordadeiras e crocheteiras que fazem lindos trabalhos manuais .

 

Vários são os poetas que se  destacam no município, entre eles podemos citar: Manoel Lobato, Juarez Fonseca da Silva e Julmar Cruz da Fonseca, Mena Nogueira, Gilson Soares, Adilson Vilaça, Juliano, Binta, Nilton dos Santos, Miriam Celeste Fritz, Vitor Luiz Barbosa, Antônio Maria.  Alguns com obras editadas, outros apenas com trabalhos avulsos .

 

Vários grupos se apresentam em eventos ou ocasiões especiais, são ele: O Radical Fire do Gilmar Quedevez , a Academia K & E do grupo do Edson Franco Mourão, o Liturgia e Dança comandado pela Eunice, o grupo Recompensa da Marisley . Nos fins de semana há bailes e forrós agitando a galera.

 

Em festas juninas, tem como tradição as seguintes comidas e bebidas : o quentão, biscoito de polvilho, canjicão , batata doce assada, broa de milho e pipoca.

 

Na Semana Santa  os alimentos mais consumidos são : a torta de bacalhau. A paçoca de amendoim e o canjicão .

 

No Natal toda a família se reúne para a Ceia onde é servido peru assado, vinho e panetone. Em aniversários e casamentos, nunca falta o tradicional bolo confeitado .

 

Em reuniões informais entre amigos, não pode faltar o famoso churrasco, a cerveja gelada, o feijão tropeiro, o arroz branco e o vinagrete.

 

ECOPORANGA

Ecoporanga é um Município que, foi instalado em 1955, de passado histórico que vem sendo resgatado a partir da realização deste trabalho através de várias entrevistas feitas com alguns dos primeiros moradores.

 

Com a chegada dos desbravadores destas terras houve a formação de patrimônios ou comércios onde os moradores faziam suas compras. Nestes locais foram criados os distritos.   O distrito de Muritiba foi criado como os demais distritos, à partir da doação de terras, e está localizado ao pé de uma rocha, próximo ao córrego homônimo do distrito.

 

Os primeiros desbravadores que ocuparam o distrito vieram em sua grande maioria de Minas Gerais e Bahia à procura de grandes propriedades.

 

Muritiba já foi um lugar de muita prosperidade,com grandes comércios e produção agropecuária devido à grande população existente na época.

 

Como todo bom mineiro, que gosta de um bom bate-papo e da alegria contagiante do povo baiano os moradores de Muritiba alegraram suas vidas ao som da sanfona  nas festas religiosas e casamentos,embora os conflitos entre Minas e Espírito Santo estivesse acontecendo às margens do córrego Muritiba com o chamado “contestado”.

 

Com o passar dos anos a maior parte dos moradores que ali residiam, migraram para o norte do país e regiões vizinhas, em busca de melhorias, tornando-se assim um lugar com poucos moradores e grandes latifundiários.

 

Não é possível um olhar cultural sem voltarmos no tempo que certamente por muitos esquecido. São memórias adormecidas ao longo do tempo, despercebidas e sem os méritos necessários quando se trata da influência e contribuição na vida atual do distrito e de sua gente. Um dia Imburana terá cem, duzentos, quinhentos anos, um milênio e somente o registro de sua história voltado à sua origem levará à geração futura o conhecimento adequado do que se passou.

 

Perceber os traços culturais demarcados pelos pioneiros que fizeram parte da história, e ver com os próprios olhos a descrição dos que hoje ainda vivem e que fazem parte deste ilustre trabalho. Vivenciar esse momento é participar diretamente do embalo da vida de cada uma destas pessoas que deixaram aqui sua contribuição, para que a história de Joassuba pudesse ser registrada e repassada às gerações futuras, para que possam se orgulhar de ser “Joassubense”, no entanto, muitas histórias estão sendo esquecidas pelo fato de ninguém ter se comprometido cientificamente para esta abordagem .

 

É necessário exercer uma reflexão crítica sobre o saber historicamente construído, pois, a história é uma construção, e não uma verdade acabada e absoluta . Temos percebido que no município de Ecoporanga desconhecemos nossa própria história e não direcionamos um “olhar” crítico, reflexivo , sobre o que nos é familiar : “nossa história e cultura” .

 

A pesquisa realizada visa resgatar a cultura do Distrito de Joassuba, a qual se destaca por ser privilegiada com suas belíssimas cachoeiras, pontos turísticos, manifestações folclóricas e lazer .

 

DISTRITO DE PRATA DOS BAIANOS

  PRATA DOS BAIANOS- ABORDAGEM HISTÓRICA E CULTURAL    

 

Há cem anos atrás a região noroeste do Estado do Espírito Santo, mais especificamente a do Alto São Mateus, era toda coberta de florestas (Mata Atlântica). Terras ainda selvagens que despertavam muita ambição em desbravadores (aventureiros) de Minas Gerais, Bahia e Sul do Estado do Espírito Santo. Essa região, praticamente desabitada, fazia parte de uma disputa entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo que ainda não tinham seus limites territoriais definidos nessa área (contestado) .

A partir dos anos 30, aproximadamente, migrantes provenientes de Minas Gerais (Salinas e Teófilo Otoni) e do sul da Bahia, em busca de terras ainda não exploradas, se instalaram num vale às margens de um pequeno rio de águas límpidas e cristalinas (Córrego da Prata) onde fincaram suas barracas e começaram a exploração, abrindo clareiras na mata fechada para o plantio de milho, feijão, mandioca, arroz, etc.

Esses desbravadores José Lopes, Bião , Chicão , José Felipe da Cruz e Jesinho Ferreira , dentre outros , conviviam com animais selvagens (onças , catitus , queixadas , veados , macacos , antas , jacarés, pacas, capivaras e outros bichos) e tiveram que trabalhar com coragem e dinamismo para possuírem essas terras até então desconhecidas .

As dificuldades eram enormes . Às vezes eram atacadas por animais selvagens, além de doenças como a esquistossomose, a malária, o tifo , a disenteria e também por uma doença conhecida como “boba” .

Contam os primeiros habitantes que nessa região cercada de montanhas já viveu uma tribo indígena . as vilas mais próximas eram as de Ataléia , Barra de São Francisco e Mantena  para onde poucas vezes iam para comprar sal , ferramentas , armas e remédios . Também levavam alguns produtos que cultivavam , para vender .

Gente rude , forte , cheia de coragem , os primeiros exploradores foram se estabelecendo nas proximidades do córrego da  Prata, cultivando suas lavouras. Construíram casas de pau-a-pique, paredes feitas de ripas ou varas entrecruzadas e barro onde conviviam com suas famílias.

Aos poucos foram fazendo a penetração nas matas ao redor de suas casas, abrindo novas clareiras para formação de pastagens para a criação de gado bovino. Com isso, foram surgindo sítios e pequenas propriedades. Matas inteiras eram derrubadas. Suas madeiras nobres eram vendidas e queimava-se o restante para formar novas lavouras e pastagens. Isso devido à ambição do homem pela posse de terras e mais terras.

O panorama da região foi sendo drasticamente alterado. As montanhas ficaram desnudas de florestas. O rio Prata ficou desprotegido da mata que fora arrancada de suas margens. Já se podia vê-lo de longe, serpenteando calmamente por entre vales e montanhas até o encontro com o São Mateus.

As casinhas que ora eram apenas algumas, multiplicaram-se, formando um vilarejo. Mais migrantes surgiram e novas construções haviam de ser edificadas.

Quando alguém adoecia e precisava de cuidados médicos, era conduzido até Barra de São Francisco através de bangüê, espécie de rede trançada de cipós amarrada em um varão comprido, através de picadas feitas nas matas a golpes de facão.

Dona Maria José, esposa do Senhor Chicão, mulher de coragem, prestou valiosos serviços à comunidade no início da história da vila. Era parteira e raizeira. Foi  ela quem doou terrenos para a construção de novas casas, ruas e igrejas. Sua residência servia como paróquia, apesar da simplicidade. Abrigava o povo, aos domingos, para ouvir a palavra de Deus através do frei Inocêncio que chegava à vila no lombo de um burro.

 Frei Inocêncio pertencia à ordem dos capuchinhos. Sua presença no Alto São Mateus estava ligada à ação missionária que os religiosos católicos exerciam nas selvas entre os rios Mucuri e Doce, desde o século XIX,  na catequese de índios e na pregação de missões ambulantes. Era missionário por excelência. Desenvolveu seu trabalho na vila enfrentando toda sorte de dificuldades, ficando conhecido em toda região como “O Vigário da Mata”.     

 

Casas antigas de Prata dos Baianos

ORIGEM DO NOME

                       

O Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio Buarque de Holanda Ferreira registra:

*  Prata- elemento de número atômico 47, metálico branco brilhante, denso, maleável, dúctil,  usando em numerosas ligas preciosas.

*Baianos- da Bahia, nortistas ou nordestinos. Os naturais ou habitantes do Estado da Bahia.

 

Na junção destas palavras “Prata + Baianos” , os moradores do vilarejo às margens do córrego Prata trataram de nomeá-lo como Prata dos Baianos . Prata: devido ao pequeno rio, de águas cristalinas, que nasce na divisa com o município de Água Doce do Norte – no  Distrito de Bom Destino e deságua no rio  São Mateus (rio que limita o Espírito com o Estado de Minas Gerais, nessa região). Baianos: devido à grande maioria de moradores baianos que por aqui se instalaram na época .                                                                                  

 

Vista panorâmica de Prata dos Baianos                                                                                             

LOCALIZAÇÃO E ORGANIZAÇÃO POLÍTICO – SOCIAL

Prata dos Baianos localiza – se com mais precisão no extremo norte do município de Ecoporanga (Anexo¬¬ I ), que congrega atualmente os distritos de Cotaxé, Imburana, Joassuba, Santa Luzia do Norte, Santa Terezinha, Muritiba e Prata dos Baianos, antes Novo Horizonte .

De acordo com o Artigo 16 dos Atos das Disposições Organizacionais Transitórias, da Contribuição Municipal (Lei orgânica de 05 de abril de 1990), ficou transferida a sede do Distrito de Novo Horizonte para a Vila de Prata dos Baianos, redenominando – se à jurisdição como Distrito de Prata dos Baianos .

Foi na luta pelo desmembramento do distrito de Novo Horizonte, hoje pertencente ao município de Ataléia – MG, que nasceu essa mudança . Não faltaram esforços de alguns cidadãos da comunidade, que formaram uma comissão constituída pelos senhores Simião Teixeira Sá, Cristolino Cardoso, Jaime Marsal, Adriano Carioca, Antônio Muniz, João Barbosa Marques, Sebastião Rodrigues Campos, Nourival Edair Balmant, José Vieira dos Santos, Domício Caetano de Souza, João Ferreira Nunes, Sebastião Louback, Jairo Rodrigues Campos, Flávio Paradella da Silva e Ascendino Dias da Silva .

Novo Horizonte, com o acordo de limites entre o Espírito Santo e Minas Gerais, ficou fora do território do município de Ecoporanga, sendo a sede do Distrito passada para Prata dos Baianos .                                                                   

 

No Distrito de Prata dos Baianos encontra–se o Cartório Tempone, representada até pouco tempo pelo Senhor Argentil Tempone da Silva e atualmente pela sua esposa Zilta Rodrigues da Silva .

           

DADOS POPULACIONAIS

Em entrevista com os agentes de saúde que atuam no Distrito constatamos, através de análise de documentos do programa saúde Familiar, que Prata dos Baianos tem uma população de aproximadamente 1.500 habitantes.

 

GRUPOS ÉTNICOS PREDOMINANTES

 

Não há um grupo étcnico que se destaca dentre os outros da comunidade. Os  primeiros habitantes do Distrito pertenciam a grupos raciais bastante diversificados como por exemplo o negro e o mulato provenientes da Bahia e o branco e o caboclo vindos de Minas Gerais.

 

MANIFESTAÇÕES ARTÍSTICAS E CULTURAIS

 

O Distrito foi formado pela fusão de inúmeras subculturas luso- brasileiras e também por tradições culturais provenientes da Bahia, dos negros escravos africanos. Por isso, é muito natural que as tradições culturais do Distrito de Prata dos Baianos reflitam características das várias regiões de origem de seus antigos moradores.

           

Em decorrência do êxodo rural, ocorrido nos anos 60 e 70; muitas manifestações da cultura popular estão, hoje, praticamente extintas no Distrito. É o caso do “Bunba- meu- boi”, “Rodinha, “Folia de Reis”, etc., detectados no passado e citados com saudades por alguns entrevistados.

           

A modernidade retirou um pouco de nossa cultura. Resgatá-la a partir de uma força coletiva é necessariamente urgente.

 

CURIOSIDADES

 

O casamento em Prata dos Baianos  era também considerado uma atividade da cultura do Distrito. O cortejo em direção à igreja saía a pé com acompanhamento e tudo mais.

Os padrinhos puxavam a comitiva, soltando fogos de artifício. A noiva segurava a cauda do vestido, enquanto a madrinha e as damas iam ajeitando o buquê e o longo véu.

 

Às vezes, aproveitando a presença do padre, eram realizados até cinco casamentos por vez.

 

Os enfeites na casa da noiva eram com folhas de coco, bandeirolas com papel de seda bem coloridos, arcos revestidos com arranjos de papel crepon ou de seda e muitas flores.

 

Realizada a cerimônia, seguia-se a clássica   fotografia tirada pelo fotógrafo “Lambe- lambe”.

 

Após o casório, os pais da noiva convidavam os presentes para participarem do banquete, onde eram servidos porco assado, perus, frangos, etc. sempre acompanhados de uma boa cachaça.

 

Frases filosóficas de pára- choques também se tornou parte do folclore local. Usava-se muito nos caminhões dos áureos tempos em que existia a histórica Serraria Santa Helena.

 

Nas décadas de 50 e 60 circulavam caminhões carregados de madeira para a serraria. O povo se divertia lendo e comentando as frases que vinham expostas criativamente nos pára-choques dos caminhões madeireiros, como:

-           Erro de médico a terra come.

-           Mulher feia e urubu, comigo é na pedrada.

-           Jumento e mulher feia só o dono procura.

-           Cada ovo comido é um pinto perdido.

-           O divórcio é igual cana de engenho, só fica o bagaço.

-           Chifre é igual dentadura, demora mas acostuma com ele.

-           Remédio para cavalo velho é capim novo.

Várias brincadeiras infantis ainda permanecem na cultura das famílias pratenses, sempre passando de pai para filho. Algumas brincadeiras: ronda, birosca, pique-bandeira, rodinha, passar anel, belisco, queimada, etc. (estas ainda existem na vila). Citamos outras que acabaram no esquecimento: cantigas de roda, jogar versos, amarelinha, maestro, boca- de- forno e outras.

           

Circos e touradas faziam parte da vida dos moradores de Prata dos Baianos até a década de 70. Todo ano circos e touradas vinham para a vila animar o povo do lugar, infelizmente a cultura circense já  não existe mais nas comunidades do interior do Brasil.

           

Deve-se a extinção de muitas brincadeiras à modernidade que a televisão trouxe para os lares de todas as vilas do país. As pessoas já não saem mais à noite para brincar, conversar e ensinar aos mais jovens brincadeiras  antigas. A juventude de hoje também acha “muito careta” as brincadeiras que seus pais sabem.

 

ROUBO DA BANDEIRA

 

O Roubo da Bandeira é a mais famosa festa tradicional de Prata dos Baianos. É conhecida no município inteiro. O escritor e jornalista Adilson Vilaça há oito anos vem divulgando em revistas (Século e Galileu) essa tão popular cultura folclórica. Hoje é conhecida em todo estado . (Anexo II)

A  festa é realizada todo dia 23 de junho, dia de São João, nas casas dos senhores João Miguel, João Doutor e Geraldo Militão.

 

Quem  rouba a bandeira, na calada da noite, se torna o festeiro do ano seguinte. Através de carta anônima se pede ao dono da bandeira arroz, trigo e outros mantimentos que serão utilizados, no dia da festa, para fazer vários tipos de comida para os visitantes: broa de arroz, biscoito de polvilho, broa de fubá, café com leite, doces, etc.

O dono da bandeira prepara a casa para recebê-la do ladrão do ano anterior. Quando a comitiva vem com a bandeira roubada, muitos fogos de artifício iluminam o céu da vila. As pessoas que acompanham o cortejo carregam velas acesas na mão e cantam músicas folclóricas.

 

Assim que chegam à casa do verdadeiro dono da bandeira, a comitiva do “ladrão” é recebida por uma comissão formada por um juiz, advogados, delegados e policiais, todos trajados conforme a função. Nesse momento o “ladrão da bandeira” é preso e então começa o julgamento. Como tudo é festa, o ladrão é absolvido e o dono da bandeira convida a todos para  colocar a bandeira num mastro bem alto, próximo à claridade da fogueira. Logo após começa a reza, todos os presentes com uma vela acesa na mão. É o momento de maior fervor de religiosidade dos fiéis de São João.

 

Terminada a reza, novos fogos de artifício explodem nos ares. Todos são convidados para assistirem às danças e participarem de outras atrações durante a festa. São servidos biscoito de polvilho, café com leite, broa de fubá e de arroz. Há também barraquinhas que vendem bebidas como quentão, cachaça e cerveja.

 

A bandeira se encontra bem no alto do mastro, vigiada para não ser roubada. Mas durante altas horas da madrugada, quando os sonolentos guardiões da bandeira cochilam, o mastro é escalado ou arrancado por um exército de moleques que roubam novamente a bandeira a mando do novo ladrão. Nesse instante há um alvoroço geral. “Quem roubou a bandeira?” Ninguém sabe. Só sabe que foi roubada, pois já não se encontra mais no mastro. O mistério de quem foi o ladrão permanecerá em segredo absoluto até o ano seguinte, quando este a devolverá novamente ao seu legítimo dono, o anfitrião dono da festa João Miguel, no ano seguinte.

A festa então é reiniciada. Dança-se o “Vilão”,  “Caboclo”, “Congada” e outras danças. Há  também  a  quadrilha  e  bailados representados pelas moças, com

coroas e chapéus enfeitados e vestidos coloridos.

Senhor João Miguel e esposa recebendo a Bandeira de São João, “roubada” no ano anterior.

 

ALIMENTAÇÃO (PRATOS TÍPICOS)

 

Na culinária destaca-se o feijão tropeiro e tutu, o fubá suado que eram usados pelos nossos tropeiros e que até hoje são comidas típicas da vila.

 

Em tempos de festas juninas, em razão do famoso e tradicional “Roubo da Bandeira”, muitos moradores do Distrito fazem biscoitos de polvilho, broas de fubá e de arroz, além de quentão, canjicão e muita pipoca para a garotada.

ARTISTAS DA TERRA

 

Apesar de pequeno, o Distrito tem também o orgulho de ter acolhido artistas, filhos da terra, ou moradores temporários. Citamos a atriz global Elizângela, que nasceu e viveu em Prata dos Baianos até sete anos de idade (AnexosIII). Temos também o artista plástico Nilson Pimenta Costa, baiano de caravelas, nasceu em 1957, mudando-se para Prata dos Baianos ainda nos braços da mãe,. Morou em nossa comunidade até seis anos de idade, mudando-se para Mato Grosso, onde vive até hoje. Nilson tem intensa participação no cenário artístico nacional (Anexo IV), figurando no seu curriculum seleções e premiações em importantes salões de Artes plásticas.

Vale lembrar também o lendário Jovelino Cordeiro da Silva, não como artista, mas como homem que muito contribuiu com o escritor Adilson Vilaça na produção do livro “Cotaxé”.

 

Jovelino é hoje lembrado, mesmo depois de sua morte, por Adilson Vilaça como um personagem imortal onde o escritor relata “Fatos e lendas do sertão” , na revista Século (Anexo V)

 

DANÇA/ MÚSICA

 

A única dança que ainda faz parte da cultura de Prata dos Baianos é a “Dança do Vilão”, também conhecida na comunidade como “Dança dos Nove”, que era muito popular em Portugal. É uma dança praticada nas festividades do Roubo da Bandeira.

 

Os instrumentos musicais utilizados para essa dança são: os pandeiros, violas, cavaquinhos, triângulos, pratos e colheres.

 

São nove pares que dançam em três fileiras e vão trocando de par no decorrer da dança.

 

Os homens em fila perguntam:

            -“O que é que eu vim fazer aqui?”

            As mulheres respondem:

            “-Passar a noite  sem dormir”.

            Aí cantam versos como.

            “Batuque na cozinha

            sinhá não quer,

            Batuque na cozinha

            Quebrou meu pé.

 

                E jogam versos tais como:

                “Se eu soubesse que você vinha

                Mandaria um balão de ouro

                Para o sol não te queimar”.

 

 

DISTRITO DE SANTA LUZIA DO NORTE

 

ABORDAGEM HISTÓRICA E CULTURAL DE SANTA LUZIA DO NORTE

 

 

Santa Luzia do Norte está localizado no extremo Norte do Município de Ecoporanga, distante 60 km da sede e a 40 km do Município de Ponto Belo. Limita-se ao Norte com o Município de Mucurici e o distrito de Muritiba, ao Sul com o distrito de Itapeba, a Leste com Ponto Belo e a Oeste com o distrito de Cotaxé e Imburana.

 

O relevo do distrito apresenta variações de plano a ondulado, compreendendo altitudes de 210 m.

 

Os solos são classificados como Latossolo, Vermelho Amarelo Distrófico, com fertilidade variando de média a baixa.

 

Quanto ao clima, o distrito apresenta clima quente e úmido, com estação chuvosa no verão e estação seca bem definida no inverno.

 

O distrito possui uma rede hidrográfica escassa. O principal córrego é o córrego do Jabuti, que tem diminuído assustadamente seu volume de água nos últimos anos.

 

A vegetação conta com algumas reservas particulares e o que predomina é a vegetação de pastagem.

 

A economia do distrito baseia-se na agricultura, pecuária e extração de granito, contando com 3 pedreiras em funcionamento.

 

No distrito existe uma casa cultural onde é promovida festas, celebrações de casamentos, aniversários, etc. Segundo dados do PSF ( Programa da Saúde Familiar ) o distrito conta com aproximadamente 920 habitantes. Desse total, 455 são eleitores.

 

EVOLUÇÃO HISTÓRICA

 

O início da colonização do distrito de Santa Luzia do Norte no Município de Ecoporanga, data aproximadamente de 1940, quando o lavrador o Sr. Noberto Gomes Figueiredo, sua esposa Luzia Alves Muniz e seus filhos chegaram de Joaema no Estado de Minas Gerais em busca de terras devolutas e férteis.

 

Quando aqui chegaram, abriram as primeiras clareiras com a derrubada dos valiosos troncos de jacarandá e peroba. A fauna não era menos rica. Tinha paca, tatu, veado, capivara, etc. Aos poucos foram derrubando parte da mata e construíram moradias utilizando como matéria-prima a própria madeira.

 

Em 1942 atraídos pelas terras férteis do lugarejo que passou a chamar “Patrimônio dos Pretos”, em virtude da cor dos pioneiros, chega o Sr. Deli Teodorico dos Santos e sua esposa Ana Ferreira dos Santos e seus filhos.

 

Todos que ali chegavam tinha um papel importante que era a colonização, por isso derrubavam árvores, faziam queimadas para formação de grandes áreas de plantação, precisavam ganhar de alguma maneira a vida, e por isso era perfeitamente natural o desmatamento.

 

A vida era difícil. As maiores dificuldades eram a falta de remédios e transportes. Porém o que mais amedrontava nesta região eram as doenças. A febre era o principal tormento, quando isso acontecia as pessoas seriam levadas para o Município de Mucurici ou Nanuque.

 

Aos poucos, Patrimônio dos Pretos foi crescendo e virou uma vila. Passou a chamar Santa Luzia em homenagem a esposa do desbravador, D. Luzia. Ele doou 1 alqueire de terra onde foi construída a Capela de Santa Luzia, onde os padres Celso Duca e Egídio Melzani provenientes de Vinhático celebravam a missa, casamentos e batizados. A igreja de Santa Luzia foi inaugurada no ano de 1960 permanecendo até os dias atuais com uma única reforma em 1995.

 

A população foi aumentando, por isso Santa Luzia foi se desenvolvendo e conseqüentemente o comércio aumentou. Surgem as primeiras mercearias, escolas, açougues, farmácias, etc. Em 1973 é implantado o Cartório de Registros que ainda lá se localiza sob a responsabilidade d

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